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Caminhar é preciso
Por Tomaz Cavalieri


 
18-09-2008
Hoje a cidade de São Paulo foi cenário de um congestionamento monstro. Esta frase pode ser repetida quase todos os dias nessa megalópole que não pára e pensa. As pessoas não páram e pensam.

Como evento que abre a semana do Dia Mundial sem Carro, em 22 de setembro, o Desafio Intermodal reuniu os cicloativistas que partiram da Avenida Berrini, na região sul da cidade, até o prédio da prefeitura, na região central. O detalhe é que cada um utilizou um meio de transporte diferente. Carro particular, Motocicleta, Ônibus, Bicicleta, à pé(!), bike dobrável no metrô, ônibus combinado com metrô, Taxi e algumas combinações entre estas modalidades.

É a terceira vez que o Desafio Intermodal acontece em São Paulo. Em todas as edições as bicicletas chegaram na frente. A idéia não é disputar corrida, mas simular um deslocamento natural, como todos os dias, no trânsito do rush, já que a largada aconteceu às 18h.

Fui gravando o Matias, que enfrentou o ônibus. Fomos acompanhados da equipe da TV Globo, Neide Duarte, um cinegrafista e um assistente. Foi um sufoco!

Resumindo (beeeem): 35min para conseguir pegar o ônibus (diversos passaram LOTADOS e muitos fretados), mais 30min para chegar à Avenida Santo Amaro (há 1,7km de onde partimos!!!) e depois mais 30min em outro ônibus que seguiu por corredores até o centro da cidade. Insano. As bicicletas chegaram em 45min, seguidas pela moto, 10min depois, em seguida mais bicicletas, depois carro lá atrás com quase 2horas.

O pedestre concluiu o trajeto em 1h50.

O interessante é que a organização calcula também o custo em Reais do deslocamento e a emissão de gás carbônico em cada modal, para se ter um comparativo completo.

Soluções para este problema tudos já sabem de cor: mais transporte público de qualidade, mais metrô urgente (parece discurso de político em época de campanha), educação da população para caminhar mais (isso mesmo!), dar carona, combinar os meios de transporte, usar a bike para trechos curtos, e por aí vai. Mas, por favor, tomem uma atitude URGENTE, porque o problema já está (literalmente) nos sufocando.*


*desculpem o desabafo, mas não é por menos

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De volta pra casa
Por Tomaz Cavalieri


 
08-09-2008
Cheguei! Estou em São Paulo. A viagem de volta não é moleza não, o tempo parece que passa mais devagar.

No sobrevôo sobre a cidade, o susto: se pensávamos que Pequim estaria muito poluída, o que dizer de São Paulo. Uma grossa camada de poluentes cobre a cidade. De fato, o Brasil tem que fazer sua lição de casa no quesito controle de emissão de gases.

Em seguida, trânsito na marginal do Tietê. É, estamos em casa.

Da temporada na China trago na mala uma admiração pelo povo daquele país. Todos os povos enfrentam problemas e seus governos muitas vezes desapontam a população, lá não é diferente. Mas se pararmos para olhar as qualidades, temos muito mais a ressaltar.

Agora é arrumar a casa e se preparar para as próximas pautas. Tenho muito material a editar, muitas imagens inéditas na TV que pretendo unir em um documentário. Além dos filmes que já estou trabalhando e em breve comento por aqui.

Xie Xie, China. Obrigado, China.

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Últimas inspirações
Por Tomaz Cavalieri


 
02-09-2008
Voltei ao Distrito 798, que reúne centenas de galerias de arte, estúdios de pintores e escultores, cafés e tudo o que alguém precisa para alimentar a alma.

Fui entrevistar o artista Kang Jianfei. Foi uma conversa curiosa, já que ele não fala inglês e fomos interpretados pela sua galerista, Jessica.

Kang é um sujeito bem sensível e reflexivo. Bastante tímido, mas fiquei feliz porque fui elogiado pelas minhas perguntas. Eu queria ir fundo na conversa, e questionei sobre as influências do rápido desenvolvimento da China na arte dele e de outros artistas contemporâneos. A resposta foi bem típica de um artistas: que ele pinta independentemente das influências políticas ou econômicas, e busca sua inspiração interior e nas pessoas que o cercam.

Apesar disso, a arte de Kang é bastante questionadora sobre os caminhos de seu país. Seus quadros e instalações representam desde a ascensão social, os tipos urbanos e sua obra reflete a respeito da liberdade, por meio dos pássaros. Nada mal para um artista na China contemporânea.

Fiquei muito inspirado nesta nova visita à 798 e pretendo realizar um vídeo com as imagens que produzi por lá e durante o dia de ontem, quando caminhei pelas ruas Wangfujing, próximo da Cidade Proibida e pelo Templo do Céu. Fui realmente contagiado por estes fabulosos artistas chineses.

Agora falta pouco para a partida de volta ao Brasil e apesar do enorme prazer a cada descoberta dia a dia por aqui, a vontade de reencontrar todos em casa é maior do que nunca. O melhor é que vou acrescido de experiências maravilhosas com o povo Chinês.

Contagem regressiva...

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Povo que canta
Por Tomaz Cavalieri


 
02-09-2008
Na tarde de ontem passei pelo Templo do Céu. Lá algumas pessoas se encontram quase todos os dias para cantar juntas. São músicas do tempo da Revolução Cultural, óperas chinesas, canções populares entre outras.

Alguns aposentados aproveitam a trilha sonora para se exercitarem, jogar cartas ou apenas curtir o dia.

Isso acontece não só no Templo da Paz, mas em diversas praças e espaços públicos da cidade. É uma característica do chinês que podia inspirar outros povos do mundo. Faz bem para o espírito.



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Dez anos depois
Por Tomaz Cavalieri


 
01-09-2008
Já comentei neste blog que estive em Pequim no final de 1996. Na época, a abertura econômica havia apenas começado na China. Shenzen era a primeira Zona Econômica Especial. Já havia Mac Donald´s e poucas lojas de marcas internacionais por aqui mas as mudanças na aparência da cidade avançavam rapidamente.

Lembro-me que na época 80% dos guindastes gigantes do mundo estavam em Pequim, operando nas obras de infra-estrutura. Isso era visível num simples caminhar pela cidade. Atualmente as obras continuam a todo vapor.

Hoje tive a oportunidade de procurar alguns lugares que fotografei em 96, como a Avenida Chang An, a mais importante da cidade. Procurei o mesmo ângulo para comparar o visual urbano neste intervalo de 10 anos. Nesta foto ao lado, dá para perceber uma grande quantidade de novos prédios além do aspecto mais moderno na arquitetura.

Além desta, tirei outras fotos, como na frente da Catedral de Wangfujing, onde estive na missa do Natal de 96. Hoje há uma bela praça em frente da Igreja, que continua abrindo apenas para as celebrações. Descobri também que todos os hutongs em volta da rua Wangfujin hoje se transformaram em shopping centers e grandes prédios comerciais.

Não terei a oportunidade de visitar Shangai, um centro financeiro mais importante que Pequim. Lá foi fundado o Partido Comunista, que hoje promove o Capitalismo nos moldes chineses, seja lá o que isso for. Parece que lá a cidade está mais cosmopolita ainda.

A verdade é que as cidades mudam, assim como as pessoas e a cultura do país, em uma velocidade vertiginosa.

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